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Alimentação saudável e segurança alimentar: a questão dos agrotóxicos.

Alimentação saudável e segurança alimentar: a questão dos agrotóxicos. Lesly da Anunciação Costa Silva. Nutricionista formada pela Universidade Federal da Bahia, Pós-Graduada em Nutrição Clinica pela Universidade Gama Filho e em Nutrição Clinica Funcional pelo Instituto Valeria Pascoal. Experiência profissional no SUS desde 2006 em Hospitais públicos do Município de Catu e Dias D`Ávila e no NASF - Núcleo de Apoio a Saúde da Família programa do governo Federal que dá apoio as Unidades Básicas de Saúde tendo contribuído com implantação do NASF de Alagoinhas onde atuou por cinco anos, atualmente trabalha no NASF – CATU e na Pneumoclin Atendimento em consultório.
Em 16/10/2019
O Brasil detém o título de maior consumidor de agrotóxicos do mundo.

  O alimento é uma condição essencial para a sustentação da vida, ou seja, para que a alimentação seja feita de maneira correta tem que ser submetida às leis de qualidade, quantidade e adequação, sendo assim, deve ser ingerida na quantidade e variedade adequadas, caso contrário o organismo não desenvolve corretamente suas funções e acaba por não conseguir prevenir as doenças causadas por uma má alimentação.

Sendo o alimento o combustível do corpo, a adoção (ou não) de uma alimentação de qualidade causa impacto direto no bom funcionamento do organismo. Mais do que saborosa, a alimentação precisa ser completa, variada, nutritiva e segura, capaz de oferecer todos os nutrientes que o corpo precisa para conseguir desempenhar a atividade do dia-a-dia, se manter em boas condições físicas e ainda garantir longa expectativa de vida.

O nutricionista é o profissional mais indicado para orientar dietas adequadas, equilibradas e singulares para cada pessoa. O consumo de refeições seguras funciona como efetivo controle de doenças crônicas como diabetes, obesidade e hipertensão – males tão comuns na sociedade moderna.

Porém nos tempos atuais os profissionais nutricionistas além se preocuparem com calorias, e nutrientes oferecidos para prevenção de doenças crônicas, precisam ficar atentos também sobre a procedência dos diversos tipos de alimentos que a população vem consumindo e devemos nos preocupar especificamente sobre a segurança alimentar relacionadas ao uso dos agrotóxicos utilizados na vasta produção dos diversos tipos de alimentos no nosso País.

Segundo estudiosos da Faculdade de Ciências farmacêuticas da USP em diversos artigos publicado nos últimos anos, a agricultura moderna apresentou nas últimas décadas, além de novas técnicas, equipamentos e elevação do número de pesquisas agronômicas, uma diversidade de insumos como agrotóxicos e fertilizantes. E esses agrotóxicos, também denominados de pesticidas ou praguicidas, são atualmente responsáveis pelo comércio de bilhões de dólares em todo o mundo.

Estes surgiram durante a Segunda Guerra Mundial o qual ocorreu à produção, expansão e síntese de diversos compostos químicos, com propriedades antibióticas ou inseticidas.

Contudo, no meio ambiente o uso abusivo de agrotóxicos tem trazido comprometimentos relativos à contaminação do ar, solo, água e dos seres vivos, determinando a extinção de espécies de menor amplitude ecológica.

E o que se observa é que a acumulação de agrotóxicos, ao longo da cadeia alimentar, a exemplo dos inseticidas organoclorados, leva a um fenômeno ecológico chamado de biomagnificação, que é o aumento das concentrações de uma determinada substância de acordo com o aumento do nível trófico do menor para o maior, ou seja, começa nos vegetais e animais de pequeno porte como algas, sementes e peixes e chega até os humanos consumidores dos diversos tipos de alimentos seja vegetal ou animal que fatalmente estarão contaminados por essas substâncias químicas, que terão ação xenobiotica, ou seja nociva ao organismo com capacidade de estimular a mutação de células.

A Organização Mundial da Saúde acredita que, anualmente, entre 3 e 5 milhões de pessoas sejam intoxicadas por agrotóxicos no mundo e resíduos destes produtos nos alimentos continuam a preocupar consumidores que carecem de informações. Quanto aos alimentos, muitos agrotóxicos repousam nas cascas das frutas e legumes. A grande maioria, no entanto, já age sistemicamente por toda a planta, inclusive nos frutos. A sanidade do alimento é um fator de qualidade que deve ser atestado por meio de certificação. 

A comissão do Codex Alimentarius das Nações Unidas para a Agricultura e Alimento (FAO) e da Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece o limite máximo de resíduos de pesticidas em diversos alimentos. Portanto, a análise da presença dos pesticidas em alimentos representa uma prática bastante comum nos países desenvolvidos e níveis cada vez menores têm sido tolerados.

No Brasil, a lei federal nº 7.802, de 11 de julho de 1989, regulamentada por meio do decreto 4.074, de 4 de janeiro de 2002, (antes regulamentada pelo decreto nº 98.816) no seu artigo 2º, inciso I, define o que é classificado como agrotóxico e sua finalidade na flora e fauna.

Atualmente existem cerca de 300 princípios ativos em duas mil formulações comerciais diferentes no Brasil, classificados quanto à sua ação e ao grupo químico a que pertencem segundo dados da Fiocruz.

A Segurança alimentar em diversos países no mundo é feita através da implantação de programas de análise de resíduos nos alimentos, já no Brasil fica a cargo da ANVISA a análise dos resíduos de agrotóxicos nos alimentos produzidos.

Os agrotóxicos tornaram-se um problema em termos ambientais e de saúde. Mesmo com a existência de um Receituário Agronômico, a fiscalização sobre as vendas e sobre a aplicação é deficitária. Produtos com preços atrativos também chegam de outros países por fronteiras e caminhos não tradicionais, os chamados "agrotóxicos piratas".

Nos últimos 10 anos a população brasileira tem se defrontado com uma situação complexa; por um lado, têm sido apresentados por órgãos governamentais competentes os resultados das safras agrícolas que alcançam patamares produtivos cada vez mais elevados. Por outro lado, parcela significativa da população convive diariamente com uma situação de insegurança alimentar, ou seja, sem o acesso regular e permanente a alimentação de qualidade e segura segundo o IBGE.

Isso se deve ao aumento do consumo de agrotóxicos no Brasil, e esse fato que deveria causar preocupação aos governos, ao contrario, estes vêm se preocupando na busca por recordes de produção e principalmente, de exportação de produtos agrícolas. Além disso, vemos grandes deficiências na rotulagem dos agrotóxicos, com uma falta de linguagem mais acessível à população em geral.

O Brasil detém o título de maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Em 2008, ultrapassamos a marca dos 700 milhões de litros legalmente comercializados, segundo dados do SINDAG.

Destaca-se que todas as culturas que são plantadas em larga escala são essencialmente em grandes áreas de monocultivo; em latifúndios destinados à exportação de commodities inseridos no modelo do agronegócio, logo lutar em favor de uma produção de alimentos com pouco uso de agrotóxicos irá de encontro aos interesses econômicos dos grandes produtores que influenciam a decisão dos governantes de liberar o uso de agrotóxicos sem uma fiscalização mais efetiva, no qual a maioria destes tipos de agrotóxicos já são proibidos em diversos Países no mundo.

Segundo estudiosos no assunto para uma melhor política de segurança alimentar, associada ao controle do uso de agrotóxicos no Brasil, o país deve desenvolver estratégias para segurança alimentar e minimização de impactos negativos para o produtor e consumidor.

É importante dizer que quando bem utilizados os agrotóxicos impedem a ação de seres nocivos, sem estragar os alimentos, portanto o que deve haver é o cuidado e o bom senso no seu uso. Os alimentos mais propícios à contaminação são as verduras, legumes, frutas, grãos, açúcar, café e mel.

Alimentos de origem animal (leite, ovos, carnes e frangos) podem conter substâncias nocivas que chegam a contaminar a musculatura, o leite e os ovos originados do animal, uma vez que este, às vezes, se alimenta de água, pastagens ou ração contaminadas. No Brasil, em geral, os produtos agrícolas que mais recebem agrotóxicos são o tomate, a batata inglesa, o morango e o mamão-papaia.

As pessoas que preferem não consumir alimentos que podem conter resíduos tóxicos devem optar por consumir alimentos produzidos nas zonas rurais próximas a sua cidade de pequenos produtores, como também comprar de produtores de alimentos orgânicos que tenham a certificação dessa prática que vai beneficiar tanto quem consome, preservando sua saúde, como também do meio ambiente. 


 Fonte Bibliográfica

    http://portal.anvisa.gov.br/duvidas-sobre-agrotoxicos-em-alimentos

    http://sindag.org.br/

    https://www.ibge.gov.br/agrotoxicos

    https://portal.fiocruz.br