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A importância do Setembro Amarelo quando o Setembro acaba

A importância do Setembro Amarelo quando o Setembro acaba Cintia Sueli Andrade, Bacharela em Psicologia pela Faculdade Santíssimo Sacramento, Especialista em Psicanálise Lacaniana, pelo Instituto de Psicanálise da Bahia, Especialista em Saúde Mental pela Faculdade Santíssimo Sacramento, Pós-graduanda em Psicoterapia Analítica Junguiana, pelo Instituto Junguiano da Bahia, Em formação do curso Terapia Transpessoal, pelo Recanto de Luz.
Em 19/10/2019
O suicídio não deve ser tratado somente em um mês. A todo momento uma pessoa tira a própria vida.

Cometer um ato de desespero por não encontrar uma saída saudável não é ser egoísta, passar por uma depressão não é nada bom, não ter vontade de levantar da cama não é bacana, chorar muito e “sem motivos” ou não conseguir chorar não é drama, não ter capacidade ou perder o vontade de fazer aquilo que você mais gosta não é nem um pouco legal, ter maus pensamentos, não ter forças para tomar banho e fazer sua higiene pessoal é muito constrangedor, sentir a vida passar enquanto a sua está totalmente parada é cruel demais, viver trancado dentro de si mesmo é viver em meio às sombras e ao medo do futuro, e, ter perdido a vontade de viver, tirar a sua própria vida é muito desesperador. Tudo isso não é falta de Deus, não é frescura e sim uma doença, um fenômeno, uma epidemia de saúde pública. Em diversas sociedades, o suicídio é visto como um tabu, como um estigma, este fato só corrobora para a manutenção de uma vida coletiva mantida na ignorância e no preconceito. Portanto, falar deste fenômeno é inesgotável, não resumi-se a um mês, uma campanha, precisamos falar sempre e incessantemente sobre o suicídio. 


TOMADA DE CONSCIÊNCIA, COMO FAÇO ? As causas para este ato de desespero são variadas. É um fenômeno multifatorial, para entendermos melhor o suicídio, não podemos colocar respostas simplistas e engessadas para a compreensão. Suas causas vão desde problemas no relacionamento, perda de emprego, discriminação racial ou por orientação sexual, perda de uma pessoa próxima, crises financeiras, problemas de saúde mental e psicológico, entre outros. Precisamos ficar atentos aos sinais e alertas como isolamento, mudança drástica de temperamento ou falta de esperança, sentimentos de desvalia e processos depressivos. É indispensável que todo nós estejamos atentos a mudanças de comportamento. Os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) são alarmantes, em 40 minutos uma pessoa se mata no Brasil, em 40 segundos uma pessoa se mata no mundo. A cada ano, cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida e um número ainda maior de pessoas tenta suicídio. É uma tragédia que afeta famílias, comunidades e países inteiros, possuem consequências dolorosas e marcantes para quem fica. O suicídio ocorre durante todo o curso de vida e foi a terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 26 anos em todo o mundo no ano de 2018. Destaque para o gênero masculino, os homens são responsáveis por 80% dos casos que comete o ato com sucesso. O estigma em torno do tema, condiciona pessoas que estão pensando em suicídio a sentirem medo, vergonha e culpa em relação aos seus próprios sentimentos e pensamentos, e acabam por silenciar a sua dor. Crenças “limitantes” como “Ele/ela está falando isso apenas para chamar a atenção”, “Quem quer se matar mesmo não avisa”, só impedem que ações de cuidado, suporte e acolhimento possam ser realizadas. De todo modo, a maneira como cada pessoa reage à compreensão do fenômeno é diferente e determinante nas consequências psicológicas e emocionais, por isso a importância da sensibilização e discussão dentro da comunidade como quebra deste tabu. Uma discussão de suma relevância para cada País, cada Estado, cada Município que objetivam alcançar progressos na prevenção do suicídio. 

COM O QUE SE TRABALHA AS POLÍTICAS PÚBLICAS? Várias campanhas são lançadas nas redes e nos canais televisivos. No Brasil, o CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone (basta discar 188), email e chat 24 horas todos os dias. Qual o objetivo desta campanha? Conscientizar a todos sobre a importância da PREVENÇÃO AO SUICÍDIO. O ato suicida é um processo, ninguém acorda de manhã e se mata no final do dia. Existe um pedido de socorro, é um grito silenciado. Apesar de ter sido eleito um mês (setembro) para a concentração das iniciativas, a prevenção ao suicídio não pode parar e deve ser feita durante todo o ano. 

ENFRENTANDO O RISCO DO SUICÍDIO, ALERTA PSICOLÓGICO! A ameaça suicida nos traz uma confusão interior com exterior. Sofremos quando misturamos a realidade psíquica simbólica com os fatos reais e concretos. Vivemos numa sociedade adoecida pelo excesso. Excesso da tecnologia, excesso do busca do prazer, excesso pelo o consumo, excesso do culto ao corpo perfeito, excesso ao materialismo, excesso, excesso, excesso… Estamos adoecidos e não sabemos lidar com as frustrações de uma vida real e concreta, simbolizamos uma vida perfeita de felicidades e prazeres e entramos em conflito. A realidade física modifica drasticamente a realidade psíquica e vice-versa. O que nos falta? Saber de nós! Conhecimento sobre quem eu sou e o que faço da minha vida. Qual o significado que dou a minha existência. Questionamentos e indagações que culminam ao autoconhecimento. Fazer contato com a dor por vezes é difícil, pior é fingir que ela não existe, por isso, muito importante que a dor possa ser expressada, falada e compreendida. 

COMO POSSO AJUDAR? Se dentro do meu contexto eu encontrar uma pessoa próxima que está apresentando sintomas e sinais, sei que preciso agir. Antes de mais nada, pergunte, converse com esta pessoa, destacando: “eu estou percebendo você um pouco triste, eu estou percebendo você constantemente abatido e isolado, o que está acontecendo? Como posso te ajudar?” Mostre interesse pela vida dele (a), esteja disponível para ouvir seus problemas e suas tristezas, diga o quanto a vida é uma montanha russa, cheias de altos e baixos, e que na vida real existe também tristezas! Não critique, não julgue pela aparência, apenas escute e esteja presente, acolha e compreenda. Detectando o perigo do risco ao suicídio busque, aconselhar a procura de auxílio profissional ou o CAPS (Centro de Apoio Psicossocial). A caminhada pode ser longa, porém é importante acompanhar de perto a evolução.