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A Mácula da Destruição

A Mácula da Destruição
Em 23/10/2019
A grande descoberta do petróleo permitiu ao homem o progresso material, mas também vem lhe permitindo assassinar seu habitat,espécies animais e sua própria espécie diariamente.

É importante que se localize o responsável pelo derramamento de óleo no Oceano, mas será apenas uma punição ao responsável, caso haja de fato uma punição. Será apenas um país acusado do dano. E isso não irá retirar as vidas marinhas que foram manchadas pela morte sufocante do óleo assassino. Mais do que um enorme dano ambiental, o petróleo caracteriza a ganância humana pelo bem material, esse óleo que mancha ecossistemas, também mancha a alma humana, entorpecida pelo capital. Tudo em nome da economia e do progresso, nem que o progresso seja o genocídio de etnias e extinção de espécies terrestres e marinhas. 
 O petróleo é a grande descoberta da humanidade para a manutenção das suas descobertas pós modernas, para a evolução da nanotecnologia, dos produtos mais flexíveis e maleáveis, para o progresso material das nações economicamente produtivas. Do petróleo nasce o plástico, o maior vilão dos oceanos na contemporaneidade. Não precisamos de óleo derramados nas águas, o petróleo vem poluindo os oceanos há muitos anos. 
 Segundo o Serviço de Pesquisa do Parlamento Europeu, 4,8 a 12,7 milhões de toneladas de plástico entram nos Oceanos por ano. Com isso, 150 milhões de toneladas de plástico existem atualmente nos Oceanos. Segundo a ONU, 80% de todo o lixo marinho é composto por plástico e que em 2050, a quantidade de plástico irá superar a de peixes. Animais marinhos vêm morrendo diariamente ao engolirem plástico quando necessitam se alimentar. O lixo plástico é encontrado em 90% das aves marinhas.
 A cada ano a produção cresce exponencialmente, e com ela a degradação ambiental, os crimes ambientais que colocam em risco não só o meio ambiente, como também etnias que vivem da natureza, como tribos indígenas e comunidades quilombolas e moradores rurais. Em nome da civilização, a humanidade tem assassinado seu habitat e a si própria. Em nome de um sistema econômico que veio construindo-se irresponsavelmente e apoiando-se no petróleo, como matéria-prima precípua para o desenvolvimento da cadeia produtiva, as nações vêm como numa arena de gladiadores, travando batalhas colossais para manterem o poderoso óleo, o ouro preto em suas mãos. 
 O petróleo que está poluindo as prais do Nordeste configuram as ações vis da humanidade em busca do progresso material, um progresso que revela as imoralidades alcançadas em nome do consumismo e do bem estar econômico. 
 A mácula da contemporaneidade, o óleo que permite o “progresso”, a “civilização tecnológica”, mostra-se tal como é, na sua cor original neste momento nas praias do Nordeste. Mas essa mácula está presente a todo momento, matando ecossistemas marinhos a todo instante, só que de maneira colorida e com outros formatos, em forma de plástico, de produtos que não servem mais aos humanos e que eles jogam sem nenhuma responsabilidade às espécies que não fazem questão das bolas,sapatos, frascos, copos e talheres para sobreviverem. Em 2016, nas águas do Pacífico uma baleia adulta morre agonizando, com hemorragia interna ao ter ingerido, segundo a WWF (Organização de recuperação, conservação e investigação ambiental), 19 peças de plástico rígido, 4 garrafas plásticas, 25 peças de sacolas plásticas, 2 peças de chinelo, 115 pedaços de copos plásticos, pedaços de barbante.
 Essa baleia e tantos outros animais marinhos comem petróleo todos os dias e vem morrendo constantemente. As aves marinhas em 2030 entrarão em extinção, já que 90% delas já carregam plástico nos estômagos.  
A grande descoberta do petróleo permitiu ao homem o progresso material, mas também vem lhe permitindo assassinar seu habitat,espécies animais e sua própria espécie diariamente.

 Maíra Bahia