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Como anda a Democracia do Brasil?

Como anda a Democracia do Brasil?
Em 02/11/2019
Não se adequa mais à cidadania existente, vozes tiranas, armas ditatoriais com disparos injustos contra vidas inocentes.

Abalada, com rachaduras, ferida, desrespeitada...assim encontra-se a Democracia do Brasil. Qualquer sistema democrático que sofre golpe, fragiliza-se, torna-se vulnerável às mentes coercitivas, às mãos que assassinam direitos, aos poderes que ampliam a precarização.
 Dia 25 de outubro, dia da Democracia, não houve motivos para uma comemoração, não houve, não houve. Há pouco tempo, os brasileiros assistiram extasiados um camuflado processo de impeachment acontecer como um espetáculo em que foram saudados sogras, noras, filhos, esposas. Em nome de todo o parentesco existente disseram não à Democracia, em nome de um torturador que agiu violentamente na Ditadura Militar, foi dito não à Democracia. 
 De que Democracia falamos? De uma democracia que é golpeada, que uma presidenta inocente é tirada por um crime, que dois dias após a posse do novo presidente, deixa de ser crime. Sim, com Michel Temer, pedalada fiscal é algo normal num governo. 
 Torna-se cada vez mais explícito ao país, o golpe planejado, o esquema corrupto arquitetado, o projeto maculado organizado, cuja finalidade é tirar a esquerda do cenário político. Torna-se com o passar dos dias e meses ainda mais clara a intenção dos grupos que se apóiam para invisibilizar o Lula, a esquerda, a ideologia que não caracteriza-se como socialista, comunista, mas como idealizadora de práticas sociais que amenizam o sofrimento dos cidadãos castigados pela história mal estrutura, pela história comandada por opressores. 
 O esquema, o projeto arquitetado torna-se cada vez mais nítido, revela-se em sua imoralidade a cada dia que passa. Os poderes vigentes reverberam explicitamente a antipatia e o repúdio pela esquerda, e se ela, a esquerda, radicalizar, é necessário um novo AI-5 no Brasil. O Ato Institucional responsável por inúmeras torturas, assassinatos, desaparecimentos é mencionada como plano B. 
 Quanto medo a esquerda causa nos conservadores que comportam-se como peças inadequadas ao quebra-cabeça pós-moderno. Continuam, os defensores da política coercitiva, apropriando-se de um vocabulário obsoleto, que não condiz com a Constituição instaurada, que não condiz com o sistema político conquistado pelo país.
 Não cabe ao Brasil uma ditadura, não cabe-lhe o encarceramento de vidas. Não nesse país que acolhe uma Constituição tão sadia e bela. Não cabe a volta do AI-5, a quebra dos Estatutos, leis e direitos conquistados com suor, discursos incansáveis, sangue e renúncias. Não se adequa mais à cidadania existente, vozes tiranas, armas ditatoriais com disparos injustos contra vidas inocentes. Não será uma ordem fácil, do tipo dada e cumprida, do tipo planejada e executada com êxito, não, não será, porque os cidadãos não são os mesmos da década de 1960. Hoje, os marginalizados estão no centro das discussões, os invisíveis tornaram-se visíveis, os subalternizados estão empoderados de verbos resistentes.  Além disso, as denúncias serão feitas em tempo real, o mundo conecta-se com maior facilidade e frequência.Não serão torturas e mortes isoladas, elas serão compartilhadas, serão reveladas ao mundo extrapolando as barreiras geográficas.Os maiores exemplos que se tem, são a morte de Marielle Franco, que deixou de pertencer somente ao Brasil, seu luto se expandiu pelo mundo; e a prisão do Lula, em que não só brasileiros gritam por sua liberdade, mas diversos países, líderes políticos e organizações internacionais aderem-se ao Movimento Lula Livre.
Com vozes e corpos resistentes, o Brasil não permitirá manchar-se novamente pelas garras da ditadura, pelas atrocidades de um novo AI-5.  

Maíra Bahia