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O porquê de Bolsonaro detestar Paulo Freire

O porquê de  Bolsonaro detestar Paulo Freire
Em 20/12/2019

Desde o início do governo de Jair Bolsonaro, assiste-se críticas a Paulo Freire, feitas por algum ministro, apoiadores e pelo próprio presidente.Um rodízio de críticas, em que vira e mexe um se manifesta contra o pedagogo brasileiro reconhecido mundialmente. Mas por que tanto ódio às teorias criadas por Freire? A reposta é bastante simples. As ideias defendidas pelo atual presidência da República baseiam-se num conservadorismo opressor às classes minoritárias do Brasil, apoia-se em medidas que sucateiam as políticas de educação, culturais e sociais, sem a responsabilidade de zelar pela diversidade sociocultural que o país abriga. Resumindo, não existe na presidência Bolsonarista um elemento fundamental para o desenvolvimento sadio da democracia, elemento esse que estrutura-se como epicentro da teoria freiriana, a dialogicidade como elemento essencial para a prática da educação libertadora. 
 Dialogar com as reais necessidades da sociedade brasileira não faz parte do planejamento do executivo. Para seu escopo basta tomar medidas sem consultas, sem o critério de diagnosticar e reconhecer os problemas socioculturais que prejudicam o desenvolvimento da cidadania. O que a teoria de Paulo Freire promove através da uma pedagogia libertadora, é ter o diálogo como alicerce para o alcance de cidadãos críticos, com domínio autônomo e mais assertivo nas decisões políticas do seu país. 
 A educação brasileira tem sido desmantelada pelo Bolsonarismo, que vem aprovando medidas que tentam fragilizar as pesquisas e conquistas adquiridas pelas Universidades ao longo das décadas. Para o atual presidente, a área de humanas é vista como uma doença para a sociedade, pois trata-se de uma área que leva o sujeito a pensar, refletir, questionar, que liberta mentes enquadradas em moldes já estruturados pela sociedade, que veio se constituindo paternalista, racista, preconceituosa e intolerante. 
 A educação como prática libertadora incomoda aqueles que comportam-se como opressores, que suplantam as questões humanas pelas econômicas, que elegem-se na antidialocidade e se promovem através de falsas palavras, falsos discursos. Diante de inverdades, o pensar crítico é aniquilado, as mazelas da realidade são vistas como algo normal, que apenas deve ser sentido como um sistema já existente e impossível de mudar. A educação libertadora possibilita ao sujeito questionar as mazelas, as estatísticas desumanas; promove assim uma criticidade essencialmente necessária para mudanças profundas numa sociedade. 
 Questionamos então, que tipo de mudança e crítica o governo atual pretende suscitar na sociedade brasileira. Ao criar falsas mensagens e utilizá-las como plano eleitoral, este grupo político deturpa a realidade, a faz experimentar uma vertigem que prejudica mentes que ainda não libertaram-se através da educação, que carregam pensamentos petrificados e vulneráveis a mensagens desprovidas de qualquer virtude que façam a cidadania ser interiorizada como elemento essencial para a conquista e preservação dos direitos civis e humanos. Paulo Freire incomoda os que violam tais direitos e tentam através de falsas sabedorias desviar os sujeitos da sua cidadania, da sua autonomia civil, da interpretação crítica da realidade a que pertencem. Incomoda os que motivam nos sujeitos, pensamentos ingênuos e os coloca na incapacidade de discernir a normalização da violação. A teoria freiriana, que propõe o distanciamento do sujeito da ignorância, posiciona o diálogo numa relação horizontal, como um encontro amoroso entre o homem e o mundo. O que o Brasil vivencia no momento é uma relação não dialógica, em que fatos são banalizados e a realidade distorcida. O que se assiste é a tentativa de educar sujeitos para serem voluntariamente oprimidos por um sistema que não libertou-se dos moldes arcaicos, que tenta ressuscitar ideias turvas, medievais para um século que tenta transcender as luzes iluministas, pautadas na liberdade e igualdade, atingindo graus mais elevados de comportamento. 
 Sem uma educação libertadora, trazida por Freire não só para o Brasil, mas para o mundo, a humanidade continuará mergulhada nas intolerâncias, preconceitos e rivalidades vis, ou seja, na desumanidade. Quem criou uma teoria que propõe a liberdade cognitiva do sujeito e que permite o olhar sobre  a realidade como um processo apto a mudanças e não como algo estático, jamais deve ser minimizado a palavras de imensa pequenez denotativa, como a utilizada pelo presidente. Energúmenos são políticos que agem como educadores rígidos, que impõem seus pensamentos, impedindo as mentes de toda uma sociedade de seguirem seus voos críticos sobre as terras tristes e patológicas que sobrevoam. Subtrair do homem seu direito de transformar o mundo é a maior violação que pode existir numa sociedade. Somar ao homem o direito de transformar seu mundo, só é possível através de uma educação que liberta. E isso só pode se dar através daqueles que não são energúmenos!

Maíra Bahia
Idealizadora do Atitude Social Já