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O carnaval acabou; o capacitismo, não!

O carnaval acabou; o capacitismo, não! Artigo de Amanda Brito, idealizadora do Destinos Acessíveis.
Em 02/03/2020

 

Desde muito nova sempre amei o carnaval. Já curti de todas as formas: na pipoca, em blocos, camarotes. Esse ano foi mais um para a conta. E isso seria mais um relato comum, se eu não fosse uma mulher com deficiência.  

Somos 45 milhões de pessoas com deficiência no Brasil e participar de uma das maiores festas de rua do planeta ainda causa espanto em muita gente. Com meu espírito subversivo, participar da folia sempre foi um ato político. Sempre foi a minha pequena contribuição para mostrar a quem estava ali que ainda existem corpos sendo invisibilizados.   

Dentro desse contexto, não podemos deixar de falar sobre o quanto o capacitismo, que é a discriminação contra as pessoas com deficiência, ainda está presente em festas como o carnaval. É através dele que hierarquizamos as pessoas em função da adequação de seus corpos a um ideal de beleza e capacidade funcional. Essa forma de discriminação está intimamente ligada à corponormatividade, que considera determinados corpos como inferiores, incompletos ou passíveis de reparação quando comparados aos padrões hegemônicos.  

Por isso, quando falamos sobre carnaval inclusivo, não estamos nos referindo apenas àqueles blocos formados por pessoas com deficiência. Falar sobre carnaval inclusivo é discutir sobre a possibilidade de ocupar qualquer espaço, é naturalizar o fato de que nós também dançamos, curtimos, beijamos, paqueramos, como qualquer outro ser humano. Não somos apenas meros personagens inspiradores de storytelling. E não precisamos ouvir a cada cinco minutos o quanto nós somos incríveis por estarmos ali.  

Para que a mudança de paradigma aconteça, não podemos negar a importância de ocupação de espaços e um deles é a rua. A militância também passa pela folia, mesmo que seja de uma forma leve e divertida. Sem dúvidas, é preciso ocupar as cidades com o melhor que elas têm: a diversidade das pessoas. Mas, para que a verdadeira mudança aconteça, a presença das pessoas com deficiência na rua não é o suficiente. Romper o ciclo de invisibilidade no qual a maioria de nós ainda está inserido deve ser um compromisso de todas as pessoas. E quem deu um show de inclusão esse ano foi Saulo, em Salvador, que desfilou pelo Campo Grande acompanhado de um intérprete de libras. 

Assim como o Saulo, no carnaval e na vida, não seja capacitista. Inclua mais. Quer dicas simples? 


1. Convide amigos e amigas com deficiência para saírem com você (inclusive para o carnaval). Não esqueça de que a principal barreira para as pessoas com deficiência é a atitudinal. Se organizar direitinho, todo mundo brinca; 


2. Respeite o ritmo do outro, pois cada um tem o seu; 


3. O amor é para todos. Então, se rolar um clima com alguma pessoa com deficiência, se jogue, afinal: 


O amor é livre e independente do corpo!



Acesse 

www.destinosacessiveis.com e conheça o trabalho desenvolvido por Amanda Brito.