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Bolsonaro: o presidente que visa a economia e fecha os olhos para a vida da sociedade.

Bolsonaro: o presidente que visa a economia e fecha os olhos para a vida da sociedade.
Em 26/03/2020

O coronavírus, também chamado de COVID-19 tem gerado medo no mundo, fazendo com que os presidentes dos países tomem medidas que alteram completamente a normalidade do ritmo de vida de suas nações. A correria do dia a dia marcada pelo trabalho, estudo, lazer, consumo vê-se estagnada, já que o isolamento social é a medida mais lógica para conter uma maior contaminação entre as pessoas. A normalidade dá espaço para as ruas vazias, fábricas paradas, comércio fechado, salas de aula sem estudantes e professores, contato físico proibido. As sociedades de todos os continentes tiveram que alterar seus ritmos de convivência, de normalidade, a fim de preservarem-se vivas.

O mundo já contabiliza, até a data de hoje, 18.000 mortes, mais de 400 mil casos de contágio em 175 países. O vírus que mata sem distinção de classe social, gênero e raça, é ainda um desafio para a ciência, que tenta exaustivamente encontrar uma solução para esta grande ameaça que abala o mundo. Diante da pandemia, os chefes executivos e suas equipes vêm tomando medidas que visam minimizar o número de contágios, as medidas que todos países têm tomado em comum são os testes em massa e o isolamento social. No Brasil, no entanto, o presidente Jair Bolsonaro, tem proposto à sociedade medidas contrárias, medidas essas que colocam a vida da população em risco. Ao invés de defender o isolamento social, o presidente em seu último discurso, convida as pessoas a voltarem para a normalidade, para sair de casa e frequentar os ambientes normalmente. Segundo Bolsonaro, “devemos, sim, voltar à normalidade”. Enquanto o presidente convida os brasileiros a se contaminarem, governantes de outras nações agem com protecionismo e respeito à vida de seus cidadãos. Macron, na frança diz:"Estamos em guerra" (...) "Estamos em guerra, é uma guerra de saúde. É claro que não estamos lutando contra um exército ou outra nação, mas o inimigo está lá, invisível e avançando. E isso requer nossa mobilização geral.". Trump, nos Estados Unidos, em seu último pronunciamento esclarece que não irá por fim às medidas de isolamento de forma precipitada, em suas palavras, "Não vou fazer nada precipitado ou apressado" e "Ninguém vai sair por aí nos escritórios se beijando ou abraçando, mesmo que sintam vontade.".

O governante do Brasil tem demonstrado total despreparo diante da crise. Vem agindo insensatamente, como um adolescente teimoso, brigando contra estatísticas e contra seu próprio ministro da saúde, que tem tomado as medidas corretas diante da epidemia que se espalha no país. Além de não tomar as medidas lógicas e cabíveis, o presidente tem revelado total desprezo às medidas que os governadores vem tomando em seus estados. A suspensão do funcionamento do comércio, escolas, praias, shoppings, feiras; medida essa adotada por muitos estados brasileiros, causou furor no presidente, pois sua maior e precípua preocupação é com a economia e não com as vidas brasileiras.

O Brasil soma 2.915 casos confirmados e 77 mortes neste exato momento em que este artigo é escrito, às 18:14 do dia 26 de março. As vítimas contaminadas e letais podem atingir números muito maiores que esses, caso a medida de isolamento não seja mantida, como propõe o presidente. A postura do presidente Bolsonaro deixa evidente a sua prioridade – a economia. Além de considerar o Coronavírus uma gripezinha, o presidente vê-se pressionado pelos empresários, pela elite que está sendo prejudicada com o fechamento de suas indústrias, lojas, restaurantes.

O posicionamento dos empresários brasileiros, que apoiam o presidente, a reforma trabalhista, previdenciária e todas a medidas antissociais, é simplesmente deprimente e completamente desumana. Veja algumas das falas:

“Um viruzinho que é uma gripezinha leve para 90% das pessoas, ela vai matar só velhinho e gente já doente” (Roberto Justus, empresário e apresentador de TV)

“Isso é tudo psicológico, as pessoas estão ficando doidas. Tá uma histéria! ( Luciano Hang,dono da Havan)

“As consequências que nós vamos ter economicamente no futuro vão ser muito maiores do que as pessoas que vão morrer agora com o coronavírus. (Junior Durski, dono do Madero)

“Você que é funcionário e talvez esteja em casa agora numa boa, uma tranquilidade. Você já se deu conta que ao invés de estar com medo de pegar esse vírus, você também deveria estar com medo de perder o emprego? (Alexandre Guerra, dono da Girafas)

As declarações desesperadoras, que temem uma crise econômica, de tais empresários é sem dúvida uma explícita convocação ao esfacelamento do maior do Direito Humano - o direito de viver. As vidas dos empregados não importam para eles, como as vidas dos cidadãos não importam para o presidente. Tais discursos evidenciam a preferência pelo capital, que nestes discursos configuram-se dentro de um selvagerismo estupendo, nos remetendo ao tão falado capitalismo selvagem.

Enquanto as nações, com exceção do Brasil, sincronicamente unem-se a fim de sanar a propagação do Coronavírus, nós nos vemos diante de dois ataques, o vírus em si e o de um governo que não zela pela saúde do seu povo.


Maíra Bahia,

Idealizadora do Atitude Social Já

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