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Se a boiada passar...

Se a boiada passar... Por Maíra Bahia, Idealizadora do Atitude Social Já . Ativista Socioambiental
Em 02/06/2020

A reunião ministerial ocorrida no dia 22 de abril do ano corrente, foi uma verdadeira enxurrada de depredação aos direitos sociais, ambientais, da educação e justiça do Brasil. As falas proferidas na reunião, por governantes que deveriam zelar pela Nação, são vergonhosas, dotadas de uma reverberação icônica do que realmente o governo defende como ideologia. Depreciação, injuria, desprestigio, desmerecimento, eis as denotações proferidas por bocas que têm o dever de garantir o progresso, a liberdade, o direito. A reunião do dia 22 é uma verdadeira ignomínia, que envergonha e indigna os que lutam por direitos.

Dentre as falas pífias, está a do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, um representante ignóbil que trata as questões ambientais do país sem nenhuma sensibilidade, que suplanta os valores ambientais pelos econômicos, sem respeitar as populações tradicionais, sem respeitar os limites da natureza. Salles recomenda ao presidente,


"Nós temos a possibilidade neste momento, que a atenção da imprensa está voltada quase que exclusivamente para covid-19... A oportunidade que nós temos, que a imprensa está nos dando um pouco de alívio nos outros temas, é passar as reformas infralegais de desregulamentação, simplificação, todas as reformas que o mundo inteiro cobrou"


Então para isso precisa ter um esforço nosso aqui enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de covid-19, e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas. De Iphan, de Ministério da Agricultura, de Ministério do Meio Ambiente, de ministério disso, de ministério daquilo. Agora é hora de unir esforços [...]. É de regulatório que nós precisamos, em todos os aspectos."


A fala de Salles teve uma repercussão altamente negativa entre entidades ambientalistas, políticos e sociedade. Não poderia ser o contrário, já que passar a boiada significa passar qualquer mudanças infralegais nas regras e normas que regem as leis ambientais. Diante do vil episódio, os senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Fabiano Contrato (Rede-ES), presidente da Comissão de Meio Ambiente no Senado, acionaram o Ministério Público e apresentaram notícia-crime à Procuradoria-Geral da República contra o ministro Ricardo Salles.

Pertencemos a um século em que as questões ambientais são fortemente discutidas e valorizadas, onde a sustentabilidade é pauta e agenda de governos, como tema relevante. O Brasil então, elege uma ideologia contrária a qualquer tipo de progresso, colocando em risco a linda biodiversidade que abriga. O Ministério do Meio Ambiente do governo Bolsonaro caracteriza-se como uma esplêndida apologia à destruição e desmantelamento ambiental.

Há algo ainda mais revoltante na fala do ministro do meio ambiente, quando este diz que deve-se aproveitar o momento para “passar a boiada”. De que momento estamos falando? Um momento em que tantos brasileiros morrem pela COVID-19 e que famílias estão destroçadas pelas perdas, um momento em que as tribos indígenas estão sendo ferozmente afetadas pelo vírus letal que tem feito o país chorar em todos os estados. Além do grave crime ao meio ambiente, percebemos um grave crime aos direitos humanos do Brasil, por aquele que deveria, constitucionalmente, zelar pela Natureza.

O descaso, o descuido com a Natureza gera consequentemente um desmantelo social. As populações rurais, tradicionais, urbanas dependem do bom funcionamento da Natureza, pois é dela que retiramos os insumos necessários a tudo que nos rodeia. Quando um ministro do meio ambiente autoriza passar uma boiada, esta boiada pisoteia árvores e pessoas; pois a relação entre o ser humano e a natureza é simbiótica, onde um deve cuidar do outro.