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Educação em tempos de pandemia

Educação em tempos de pandemia Tatiane Nascimento. Espacialista em metodologia do ensino, pesquisa e extensão em educação.Formada em pedagogia pela Uneb. Professora da Rede Municipal de Salvador.
Em 17/06/2020

Junho de 2020. Nem nas nossas piores projeções, imaginaríamos viver um momento de excessão tão intenso. Nações se reorganizando para passar por esse período com responsabilidade e cuidado com o humano, sem prever o término nem a cura para um novo vírus letal e altamente contagioso- o COVID 19. Nesse panorama global, novos itens ganham status de essenciais, como máscaras e álcool em gel, passando a nos enclausurar em casa, restringir contatos físicos (abraços somente virtuais), adotar o home Office (trabalho em casa) e passar a ser exigentes higienizadores de ambientes.

A pandemia desacelerou contextos individuais e institucionais. Diante desse cenário de anormalidade, temos mais de 1,5 bilhão de alunos e 60,3 milhão de professores de 165 países afetados com a emergência do coronavírus . Com isso, as escolas vem tendo de reinventar ações para a demanda educacional em todos os níveis de ensino. Muitas instituições passaram a pensar novas formas de viabilizar os processos de ensino aprendizagem, na tentativa de minimizar os prejuízos no calendário escolar.

Aqui no Brasil,temos dentre elas, a organização Todos Pela Educação, que em seus documentos ressaltam essa emergência na formulação de planos e estrátegias para a volta as aulas, que contemplem tanto estratégias para combater desigualdades educacionais, quanto novas e excepcionais demandas que surgirão, tais como a evasão, o acolhimento emocional d alunos e professores, comunicação frequente entre família e escola, avaliação diagnóstica e recuperação da aprendizagem, articulação entre instituições locais que impactam a política educacional, ale´m do uso da tecnologia como aliado continuo.

Em se tratanto de território brasileiro, sabemos das dificuldades, dadas as especificidades regionais, forçando uma adequação mínima para os segmentos da educação básica.

Aqui na Bahia, O Conselho Estadual de Educação( CEE) iniciou a elaboração de um documento para nortear o retorno escolar em todas as instituições de ensino público e privado da Bahia. Estão entre as principais medidas as questões relacionadas a não-reprovação do alunado, adoção do ciclo 2020/2021, a reorganização do calendário escolar com a definição dos conteúdos essenciais, a reorganização das salas em turmas menores, o escalonamento do fluxo de estudantes, a qualificação do professores.

Quando o assunto é conteudo, vemos o esforço das instituições em adotar aulas virtuais para acompanhamento do currículo escolar. Porém, a preocupação imediata com o curriculo tem levado muitas vezes a uma enxurrada de atividades, testes, mentorias, pesquisas que sobrecarregam professores e alunos, além de redimensionar também a aprendizagem por interações, por exemplo. A crise atual deu força para a urgência da reinvenção da escola, que já viva suas incongruências acerca de um ensino mais qualificado no nosso país.

O professor português Antonio Sampaio da Nóvoa,quando questionado quanto ao desafio vivido hoje pela educação,nos fala que é essencial não romper as ligações da escola com os alunos, lançando mão de novas plataformas, teleconferencias, e acentua sua preocupação em que o ensino chegue aos mais pobres, sem o que teremos um avanço nas desigualdades já imperantes no sistema educacional, pois os softwares educacionais são programados para uso em computadores, o que dificulta e muito os acessos. Reafirma ainda, a relevância em manter formações continuadas dos profissionais em educação, aumentar a conectividade e ressignificar a organização curricular.

Um outro ponto muito discutido é a relação dos pais com seus filhos na orientação das atividades educativas. Cumpre sempre refletir e ter bom senso, percebendo as especificidades do momento, e dar leveza a esses instantes, com tranqüilidade dentro do possível. Lembrar que os excessos levam a bloqueios emocionais, muito stress e recusa em sentar para realizar as atividades. De uma hora para outra, as crianças podem desenvolver aversões e bloqueios. E quanto a isso, o emocional pode disparar conflitos e traumas que se seguirão por longos anos, dado que nunca se passou tanto tempo em casa, isolado e sem interações, muitas famílias tendo perdas de entes queridos e tendo de lidar com esses sentimentos dolorosos.

Nessa nova normalidade, estamos sujeitos a diversas oscilações emocionais, físicas, sociais, psíquicas. Cabe prudência, flexibilidade e uma dose de otimismo, sem o que não sairemos dessa mais fortes e resilientes. Toda crise impulsiona o eixo de mudanças qualitativas, então que saibamos realizar a reestruturação que o ensino no Brasil tanto necessita.



Referencias:

A nova escola pós-pandemia. In WWW.correio24horas.com.br

A pandemia e os impactos irreversíveis na educação. In WWW.revistaeducacao.com.br

O futuro desafio da volta as aulas. In:WWW.todospelaeducacao.org,br