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O maior dos Direitos Humanos, o de Viver é nagado a Índios e Quilombolas

O maior dos Direitos Humanos, o de Viver é nagado a Índios e Quilombolas
Em 09/07/2020

Ailton Krenak,uma liderança importante não só para a defesa do índio brasileiro, mas para inserir na sociedade uma reflexão sobre a sociedade consumista,no livro “Ideias para adiar o fim do mundo”,  ressalta o quanto as sociedades contemporâneas se deixam embriagar pelo consumismo e distanciam-se da simplicidade da vida, do quanto “a humanidade vai sendo descolada de uma maneira tão absoluta desse organismo que é a terra”. Esse deslocamento leva muitos à insensibilidade com os problemas enfrentados pelos índios e remanescentes quilombolas, povos marginalizados pela cultura materialista e por políticas que suplantam o cuidado com o cidadão e meio ambiente em nome do lucro.

A medida de um presidente negar elementos básicos para que seres humanos continuem vivendo, revela o quanto as ações capitalistas de cunho ultraliberal expressam o distanciamento do homem da relação essencialmente importante para a vida: a relação com a Terra de maneira respeitosa, a convivência harmônica com povos que cuidam da Terra com obediência aos seus limites. O Governo que deveria cuidar dos povos da sua nação, os castiga com políticas que devastam ao invés de zelar pelos direitos, ferindo o maior de todos os Direitos Humanos: o de Viver.

Os pilares éticos são colocado num desvalor imenso,regados  da ausência dos quatro princípios que constituem o conteúdo básico da ética, segundo Leonardo Boff, os quais são: O cuidado essencial, o  respeito, a responsabilidade ilimitada,a solidariedade universal. Os Governos deveriam carregar  tais princípios como base primordial na construção das políticas sociais, ambientais, culturais, econômica. As agendas dos governos neoliberais, no entanto, massacram tais princípios em nome do capital, e assim, a política econômica que deveria dar-se à luz da justiça social, devora vidas que não interessam ao sistema.

O cuidado de um ser humano com o outro e dos seres humanos com a natureza, esvaem-se nas trilhas capitalistas, consumistas, materialistas. Nessa teia de egoísmos,individualismos e degradações arrebatadoras, vidas são marginalizadas sem nenhum valor, corpos são apedrejados e eleitos para morrer. O distanciamento dos seres humano, dos princípios éticos, produz na sociedade a política da pior espécie _ a necropolítica, em que alguns são eleitos para viver e outros para morrer; quando a vida , na verdade, deveria pertencer a todos, dentro de uma lógica que prega a equidade.

Ao negar, para comunidades indígenas e quilombolas,elementos que estão na base da pirâmide de Masllow, onde se dão as necessidades fisiológicas, o governo bolsonarista estabelece no país uma política claramente declarada de quem deve viver e quem deve morrer no Brasil atual.


Maíra Bahia

Idealizadora do Atitude Social Já-Plataforma de Direitos Humanos e Atitudes Socioambientais

Comunicóloga Social

Especialista em Projetos Sociais e Direitos Humanos e em Docência do Ensino Superior

Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Cultura e Sociadade (Poscultura) da UFBA

Palestrante sobre Consumo Consciente, Sustentabilidade